Tem empresa que fala sobre cultura. E tem empresa que dá um abraço.
- Everton Alexandre Lima da Costa
- há 9 horas
- 4 min de leitura

Tem empresa que fala muito sobre cultura organizacional.
Tem apresentação sobre valores, manifesto no site, frases bonitas nas paredes, vídeos de onboarding e um slide chamado “Nossa Cultura” que aparece em praticamente toda apresentação institucional.
E tem empresa que, quando alguém precisa dela, simplesmente dá um abraço.
Foi isso que eu vivi em um evento corporativo.
E é uma história que eu não esqueço.
O que não cabe no roteiro
Trabalho há mais de uma década com comunicação, eventos, palestras e experiências corporativas. Em cada projeto, existe muito planejamento: briefing, reuniões, cronograma, roteiro, estudo da empresa e do público, preparação de conteúdo, dinâmicas e experiências.
Eu gosto dessa parte.
Mas existe uma coisa que nenhum planejamento consegue controlar:
as histórias das pessoas.
Foi uma dessas histórias que transformou um evento que eu já considerava especial em uma experiência que ficou marcada para mim.
Naquele projeto, tive a oportunidade de participar de praticamente toda a construção. Preparamos a programação, desenvolvi a palestra, criei dinâmicas e experiências personalizadas e, depois de muitos aprendizados, reflexões, jogos e conversas, chegou um dos momentos de que mais gosto:
FALA COMIGO, o Talk Show do Evertinho.
É um momento em que levo pessoas ao palco para conversar de maneira leve, humana e espontânea.
Não é uma entrevista para buscar a resposta perfeita. É uma conversa para descobrir a pessoa por trás do cargo.
Naquele dia, conversei com a Paola.
Falamos sobre família, sonhos, música e outros assuntos até chegarmos às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
Paola era gerente comercial e contou que sua equipe não foi impactada pelas chuvas. Mas muitos de seus clientes tinham perdido tudo.
E aquilo criou um dilema difícil.
Como falar sobre vendas e metas com pessoas que estavam tentando reconstruir suas próprias vidas?
Paola levou essa preocupação para a diretora.
No dia seguinte, a diretora marcou uma videochamada.
Quando Paola e sua equipe entraram, encontraram vendedores de diferentes regiões do Brasil conectados.
E então veio a notícia: eles não precisariam se preocupar com a meta.
Os vendedores do Brasil inteiro haviam batido a meta daquela equipe.
Quando contou essa história no palco, Paola resumiu o que sentiu com uma frase que ficou comigo:
“Naquela hora, eu me senti digitalmente abraçada por toda a empresa.”
Eu estava ali, ouvindo aquilo diante das mesmas pessoas que tinham vivido aquela situação.
E pensei:
“Então bora transformar esse abraço digital em um abraço de verdade?”
Foi o que fizemos.
Todo mundo se levantou. E a foto deste artigo nasceu daquele momento.
É disso que eu estou falando quando falo de cultura
Acredito que cultura organizacional seja justamente isso.
Não apenas aquilo que está escrito na parede. Não apenas os valores apresentados no onboarding. Não apenas o discurso da liderança.
Cultura é o que uma empresa decide fazer quando alguém precisa dela.
É quando palavras como empatia, cuidado, pertencimento e acolhimento deixam de ser conceitos bonitos e se transformam em comportamento.
Porque é muito fácil dizer que uma empresa valoriza as pessoas quando tudo está bem.
A verdadeira cultura aparece quando surge um problema.
Quando alguém erra.
Quando alguém precisa de ajuda.
Quando uma meta entra em conflito com uma realidade humana.
Quando a empresa precisa escolher entre olhar apenas para o indicador ou enxergar também a pessoa que está por trás dele.
Naquele episódio, a empresa poderia simplesmente ter cobrado a meta.
Poderia ter dito que o mercado não espera.
Poderia ter tratado aquela situação como um problema exclusivamente comercial. Mas escolheu fazer diferente.
E aquela escolha produziu algo que nenhum comunicado interno conseguiria produzir da mesma maneira: pertencimento.
Cultura não é o que a empresa diz. É o que as pessoas experimentam.
Essa frase ficou ainda mais forte para mim depois daquele evento.
Porque cultura organizacional não é um conceito abstrato.
Ela aparece na experiência cotidiana.
Está na maneira como um líder conversa com sua equipe.
Na forma como uma empresa reage quando alguém passa por uma dificuldade.
Na liberdade que uma pessoa sente para pedir ajuda.
No reconhecimento de um trabalho bem feito.
Na confiança para discordar.
Na sensação de que você não é apenas um número em uma planilha.
E, algumas vezes, ela aparece simplesmente em um abraço.
Naquele dia, a Paola foi abraçada duas vezes. Uma vez quando mais precisava.
E outra para que ninguém esquecesse daquela história.
É por histórias assim que eu amo o que faço
Eu poderia falar durante horas sobre palestras, dinâmicas, experiências corporativas, cultura, pertencimento e engajamento.
Mas algumas histórias conseguem explicar tudo isso melhor do que qualquer slide.
É por isso que acredito tanto em experiências que colocam as pessoas no centro.
Uma palestra pode levar conteúdo.
Uma dinâmica pode gerar interação.
Um talk show pode provocar boas conversas.
Mas, quando tudo isso é construído com intenção, pode acontecer algo ainda maior:
as pessoas deixam de ser apenas participantes e passam a fazer parte da experiência.
E talvez seja esse o tipo de evento que realmente fica.
Não aquele em que todo mundo lembra exatamente qual era o slide 37.
Mas aquele em que alguém volta para casa pensando:
“Eu vivi alguma coisa aqui.”
Eu amo o que faço.
E amo ainda mais quando posso usar comunicação, humor, conteúdo e experiências para criar momentos em que as pessoas se conectam de verdade.
Porque, no fim, empresas são feitas de pessoas.
E cultura é aquilo que acontece entre elas.
Everton Lima (Evertinho)Palestrante | Comediante | Professor | Facilitador de experiências corporativas
Conteúdo que provoca. Humor que aproxima. Histórias que emocionam. Experiências que conectam pessoas.
Ouse ser leve.



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